Servidor acusado de abandonar trabalho diz ter recebido cargo de Juninho e levanta suspeitas sobre concurso em Cariacica

Declaração de coveiro que teria sido demitido após denúncias de irregularidades na jornada de trabalho levanta questionamentos sobre a lisura e a transparência do concurso da época em que Juninho foi prefeito.

Um caso envolvendo um servidor público de Cariacica, na Grande Vitória, levanta questionamentos sobre o cumprimento da jornada de trabalho e as circunstâncias de ingresso no funcionalismo municipal. Adenis Paulo de Andrade, que atuava como coveiro, teria sido alvo de denúncias por registrar o ponto e deixar o local de trabalho para exercer atividades em um ferro-velho particular.

Segundo informações apuradas, as irregularidades teriam motivado reclamações, a abertura de um processo administrativo e, posteriormente, a demissão do servidor. O desligamento, entretanto, ainda depende de confirmação documental.

O caso ganhou novos contornos após um vídeo de Adenis Paulo, publicado em seu perfil no Instagram, no qual ele teria afirmado que ganhou o cargo do ex-prefeito Juninho, que administrou Cariacica entre 2013 e 2020. No vídeo, o ex-prefeito ainda tentou corrigir a fala de Adenis.

A declaração chama atenção e levanta questionamentos sobre a lisura e a transparência do concurso da época em que Juninho foi prefeito. Afinal, se Adenis ingressou no serviço público mediante aprovação em concurso, é preciso resgatar os critérios técnicos do edital e em quais circunstâncias o ex-prefeito teria participado da nomeação de Adenis Paulo.

De acordo com o Portal da Transparência de Cariacica, Adenis Paulo de Andrade foi admitido em 8 de junho de 2017, durante a administração de Juninho, como servidor estatutário, ocupando o cargo de coveiro, com jornada de 40 horas semanais.

Embora a nomeação de candidatos aprovados seja uma atribuição regular da administração municipal, a declaração atribuída ao servidor merece esclarecimentos, especialmente para esclarecer dúvidas sobre eventual favorecimento pessoal ou interferência política no concurso da época.

Caso sejam identificados indícios concretos de favorecimento indevido, a situação deverá ser comunicada ao Ministério Público e aos órgãos de controle competentes, para apuração da legalidade da nomeação e da regularidade do concurso.

O episódio reúne duas questões que precisam ser devidamente esclarecidas: a regularidade do ingresso no serviço público e o suposto descumprimento das obrigações funcionais. A apuração dos fatos é fundamental para identificar eventuais responsabilidades e garantir transparência à população.

Publicar comentário