56 candidatos no Espírito Santo declaram quase R$ 12 milhões guardados em espécie

Valores informados à Justiça Eleitoral variam de pouco mais de R$ 50 a R$ 2,48 milhões; três concorrentes declararam possuir mais de R$ 1 milhão em papel-moeda

Entre os candidatos que disputam as Eleições 2026 no Espírito Santo, 56 informaram à Justiça Eleitoral possuir dinheiro em espécie entre os bens que compõem seus patrimônios.

Somados, os valores declarados em papel-moeda chegam a R$ 11.836.007,34. Há uma diferença expressiva entre os extremos da lista: enquanto o menor registro é de R$ 52,34, o maior ultrapassa R$ 2,48 milhões.

As informações fazem parte das declarações patrimoniais apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Três candidatos declararam mais de R$ 1 milhão

O maior valor em espécie informado é do candidato a deputado estadual Dr. Jonhson (Agir). Ele declarou possuir R$ 2.484.000 em dinheiro vivo.

A quantia representa parcela significativa do patrimônio total informado pelo candidato, de aproximadamente R$ 3,85 milhões. A declaração também inclui imóveis, veículos e participação em empresas.

Na sequência aparece Daniel Santana, o Daniel do Açaí (PP), candidato a deputado estadual, com R$ 1.169.767,28 declarados em espécie.

O terceiro patrimônio em papel-moeda acima da marca de R$ 1 milhão pertence a Bruno Lourenço (PRD), primeiro suplente na chapa de Callegari (DC) ao Senado. O valor informado é de R$ 1.163.484,38.

Parlamentares também aparecem entre os maiores valores

O deputado federal Da Vitória (PP), candidato à reeleição, declarou R$ 950 mil mantidos em espécie.

Logo depois aparece o deputado estadual Dr. Bruno Resende (União), que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados e informou possuir R$ 700 mil em papel-moeda.

Também candidato à reeleição para deputado federal, Amaro Neto (PP) declarou R$ 600 mil nessa modalidade.

Entre esses seis nomes, os valores em espécie somam mais de R$ 7 milhões.

No extremo oposto está Bombeiro Oliveira (Missão), candidato a deputado federal. Ele declarou R$ 52,34 em dinheiro em espécie, menor quantia entre os 56 candidatos que informaram esse tipo de patrimônio.

Declarar dinheiro em espécie é permitido

A presença de valores elevados em papel-moeda nas declarações pode chamar a atenção, mas manter dinheiro em espécie não representa, por si só, uma irregularidade.

Os candidatos precisam informar à Justiça Eleitoral os bens que integram seu patrimônio, e os dados ficam disponíveis para consulta pública.

Do ponto de vista financeiro, entretanto, manter grandes quantias fora de aplicações pode trazer desvantagens.

O professor de Finanças da Fucape Leonardo Boa explica que pequenas reservas em espécie podem ser úteis diante de situações como indisponibilidade de sistemas bancários, falta de energia ou necessidade de pagamentos em locais onde os meios eletrônicos não estejam disponíveis.

Para quantias elevadas, porém, existem fatores como perda do poder de compra pela inflação, ausência de rendimento e exposição a riscos de perda, furto, roubo ou incêndio.

Segundo o especialista, a existência do dinheiro em espécie não caracteriza irregularidade automaticamente. O aspecto relevante é verificar se o montante é compatível com a renda e o patrimônio declarados e qual é a origem dos recursos.

Veja alguns dos maiores valores declarados em espécie

Dr. Jonhson (Agir): R$ 2.484.000,00
Daniel do Açaí (PP): R$ 1.169.767,28
Bruno Lourenço (PRD): R$ 1.163.484,38
Da Vitória (PP): R$ 950.000,00
Dr. Bruno Resende (União): R$ 700.000,00
Amaro Neto (PP): R$ 600.000,00

Menor valor:

Bombeiro Oliveira (Missão): R$ 52,34

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